Quando a fotografia se sobrepõe à experiência: uma análise dos registros fotográficos na Educação Infantil
DOI:
https://doi.org/10.18616/rsp.v10i1.10812Resumo
Este estudo objetiva analisar como os registros fotográficos são utilizados em Centros de Educação Infantil (CEIs) e em escolas de Educação Básica que ofertam essa etapa de ensino no Extremo Sul Catarinense, considerando seus sentidos e implicações pedagógicas. A pesquisa, de abordagem qualitativa, contou com entrevistas semiestruturadas realizadas com cinco professoras da Educação Infantil, cujos dados foram submetidos à análise de conteúdo e interpretados à luz do referencial teórico. Os resultados evidenciam que, embora o registro fotográfico seja valorizado como parte do trabalho docente, seu uso permanece desigual e, em alguns contextos, pouco articulado a uma prática investigativa e reflexiva.Observou-se ainda que as condições de trabalho e os recursos disponíveis variam entre escolas públicas e privadas. Entretanto, não se identifica uma divisão rígida entre as redes: há professoras da rede pública que utilizam a fotografia de forma reflexiva, assim como professoras da rede privada que ainda desenvolvem práticas próximas a uma lógica de comprovação e produção de "boas imagens". Em diversos casos, o registro fotográfico assume um caráter predominantemente estético e burocrático, voltado à comprovação das atividades, em vez de revelar os processos e as experiências vividas pelas crianças. Conclui-se que o registro fotográfico, quando realizado de forma intencional e reflexiva, constitui um instrumento da documentação pedagógica capaz de dar visibilidade aos processos de aprendizagem, favorecer a reflexão docente e fortalecer a prática educativa na Educação Infantil.
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