ENTRE PLATAFORMAS E BONIFICAÇÕES:
A RACIONALIDADE GERENCIAL DA EDUCAÇÃO NO PARANÁ
DOI:
https://doi.org/10.18616/rsp.v9i2.10209Resumen
Este artigo analisa as transformações recentes na educação pública estadual do Paraná, com foco na implementação de plataformas digitais e políticas de bonificação que têm promovido uma racionalidade gerencial na gestão educacional. O objetivo geral é compreender os efeitos dessas tecnologias sobre a estrutura da educação, bem como os impactos na autonomia docente. A pesquisa é de natureza qualitativa, com ênfase na análise documental de fontes públicas e jornalísticas, incluindo reportagens, documentos oficiais da Secretaria de Estado da Educação do Paraná (SEED-PR) e comunicados institucionais entre 2019 e 2025. O referencial teórico articula três eixos fundamentais: Ricardo Antunes (2009, 2015, 2018, 2019, 2020, 2022), que discute o trabalho docente na era digital e os processos de uberização das relações educacionais; István Mészáros (2009), que oferece uma leitura crítica sobre os limites da racionalidade mercantil frente às demandas sociais da educação; e José Van Dijck (2018), que aborda a plataformização como processo sociotécnico, permitindo compreender as implicações da lógica digital para a autonomia institucional, a privacidade e a governança. Os resultados apontam para uma reconfiguração profunda da educação pública, marcada pela intensificação do controle gerencial, pela precarização do trabalho docente e pela fragilização da função social da escola. Conclui-se que o expressivo aumento da plataformização da educação pública estadual tem ocasionado efeitos danosos à estrutura e à função social da escola. Este processo está diretamente relacionado à intensificação da racionalidade gerencial, que modifica o ambiente escolar em um espaço orientado por lógicas mercantis, pautado por métricas, rankings e indicadores de desempenho.
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