PARA TODOS: MPB, CURRÍCULO E IDENTIDADE CULTURAL
DOI:
https://doi.org/10.18616/ce.v7i2.4607Resumo
A questão da identidade cultural tem se tornado foco de discussões cada vez mais intensas no mundo acadêmico de hoje. Os meios de representação cultural, entre eles a literatura e a música popular, bem como o cinema, o teatro e as artes plásticas, desempenham papel reconhecidamente importante na construção, destruição e reconstrução de identidades culturais. O caso da música popular é peculiarmente interessante, pois em parte ela é oriunda das forças populares da sociedade, movimentos criativos de migração, aculturação e resistência que forjaram ritmos tradicionais e inovadores (como a modinha, o lundu, o samba), e em parte ela é oriunda da indústria cultural (a partir do século XX), portanto um produto do mercado fonográfico. Segundo Theodor Adorno, os bens culturais podem apresentar-se como resultado de um imenso maquinismo denominado “indústria cultural” e podem ser utilizados para manipular e domesticar a massa da sociedade. Max Horkheimer também adverte sobre a tendência de a indústria cultural, ampliada pelas novas mídias, padronizar e formatar previamente todas as manifestações culturais. Entretanto, intelectuais ligados aos Estudos Culturais, como Homi Bhabha, Stuart Hall e Néstor Canclini, argumentam que é possível entender o espaço produtivo da indústria cultural como um terreno em conflito, uma terra devoluta e lugar de muita negociação. Nesse caso, abre-se a possibilidade para a elaboração de uma crítica séria aos interesses e práticas do sistema a partir da própria indústria cultural, isto é, a música popular, resultado de uma indústria capitalista multinacional, pode ser capaz de libertar-se das constrições do sistema e tornar-se espaço de luta e negociação social. É isso o que observamos na obra do compositor brasileiro Chico Buarque de Hollanda, que desenhou uma sólida trajetória como compositor popular preocupado com as questões políticas, históricas e culturais de nosso país. De fato, a obra de Chico Buarque permite a construção e a convivência de vozes distintas e até contraditórias a propor uma identidade nacional. Algumas vozes confirmam a lei do silêncio, o cale-se, a intolerância, a exclusão; outras reagem de modo aberto e tomam atitude, fazendo refletir sobre a complexidade do atual quadro social brasileiro. Do concurso e da confluência de todas essas vozes emerge uma proposta contundente de brasilidade, abarcando todas as cores, todas as caras, todas as contradições de nossa realidade nacional. Este trabalho propõe-se, enfim, a discutir a inclusão da MPB no currículo escolar como forma de construir identidades culturais, consciência histórica e política.Downloads
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